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  • Breve análise do livro - As Doutrinas da Maravilhosa Graça: Um antídoto contra o cristianismo cultural infiltrado no meio evangélico. Michael Horton

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    Abr
    21/04/2010 às 00h12
    Nunca se tentou criar tantos atalhos para céu como nos últimos dias. Tomar a cruz e seguir a Jesus tem sido literalmente caminhar com um madeiro. São regras e mais regras que fazem a “cruz” ser mais pesada do que de fato é. O cristianismo virou sinônimo de legalismo para vários grupos religiosos. Por outro lado, há os que querem tornar este caminho mais “suave e tranquilo”. E se preocupado apenas com os fins se esquecem dos meios. Esforçando-se para tornar aceitável este caminho ao mundo, a muitas igrejas têm adornado o evangelho com qualquer outra coisa, menos com a verdade.

    Em vez de pregar a Palavra a muitas igrejas estão afundando num caminho atolado de um mundanismo pragmático. O antropocentrismo e suas técnicas humanas têm tomado o lugar de Cristo em muitas delas. A verdade de Deus tem sido esquecida e muitas vezes abandonada. Nos últimos anos encontramos inúmeras comunidades evangélicas pregando um evangelho deformado e esquizofrênico.

    Diante deste cenário, creio que uma das maiores necessidades dos protestantes contemporâneos é regatar da bíblia e da história da igreja a importância das antigas doutrinas da graça. Definir o que é salvação pela graça é ao mesmo tempo, uma necessidade e uma urgência. O Dr. Michael Horton em “As Doutrinas da Maravilhosa Graça: Um antídoto contra o cristianismo cultural infiltrado no meio evangélico” traz um resposta bíblica, teológica e histórica a esse cenário contemporâneo.

    A proposta principal da obra é através da Bíblia e história da igreja, mostrar a necessidade atual de um cristianismo alicerçado na doutrina da graça divina, manifestada e encarnada na pessoa de Cristo, e não na vontade humana herdada do Adão caído. Através do método dedutivo, Horton, aborda o assunto proposto de forma didática, e, dentro de uma sequencia sistemática (seu ponto forte) e lógica, trata dos temas propostos de forma simples e clara, mostrando um vasto conhecimento histórico e teológico, e uma grande habilidade de articulação.

    Ele aponta para a Reforma e, finalmente, a própria Bíblia como fontes de uma maravilhosa graça, que há muito tempo cristianismo moderno parece ter esquecido na história. Ele apresenta verdades eternas como sendo tão relevante para nós hoje como eram quando foram descobertos. Em Tempos de inovações doutrinárias, Horton nos convida a voltarmos às velhas doutrinas esquecidas, das quais, a da graça é a mais urgente.

    A presente obra é uma exposição com palavras contemporâneas do acróstico TULIP. Onde: “Total depravação” torna-se “Rebeldes sem causa” “Eleição incondicional” torna-se “Graça antes do tempo” “Expiação Limitada” torna-se “Missão Cumprida” “Graça irresistível” torna-se “Graça embriagante” e “Perseverança dos Santos” torna-se “Causas perdidas”.[1] Desse modo, o autor contextualiza as verdades essências pregadas na igreja primitiva e formuladas na reforma para os dias contemporâneos.

    Sintetizando o pensamento de Michael Horton podemos destacar uma sequencia lógica de ideias da seguinte maneira: A grandeza da criação e da singularidade humana nela. A “consciência da divindade” (“sensus divinitatis”) presente no homem e sua capacidade do homem de responder a Deus e aos seus semelhantes, e a de ser considerado responsável pelo modo em que ele dá essas respostas.

    Diz também, que o homem foi criando a imagem e semelhança de Deus, o qual imprimiu nele, atributos comunicáveis e um desejo de buscá-lo. Suas palavras são: “Deus não apenas deixou sua impressão digital por toda a criação, Ele deixou no coração humano um anseio que faz com que os seres humanos vasculhem a criação procurando por ela” [2] (p. 30). Essa doutrina, então, aponta para Deus e sua grandeza. Porém, apesar de condenar, ela não salva, pois o homem desde o ventre materno é um “rebeldes sem causa”.

    Esses “rebeldes sem causa” agora são “estrelas caídas”. O bem que havia neles se corrompeu de modo que por mais que queiram não conseguem produzir bem algum. Além disso, eles agora são escravos do pecado, o qual os escraviza sem lhes oferecer outra opção. Logo, por mais que tentei ajudarem-se, no que se refere a sua busca a Deus, em são incapazes.

    Por isso, não lhes resta outra coisa a não ser a “graça antes do tempo”. A qual é gratuita, pois não temos o que oferecer em troca, e ao mesmo tempo é condicional, pois temos que respondê-la. (apesar de sermos capacitados por Deus para isso.) Ela é justa, pois não exclui ninguém, apenas inclui alguns. Os quais foram incluídos, não por meio de uma presciência de que eles viriam, mas porque foram conhecidos antes de virem. E porque foram conhecidos pelo Pai e agora eles o conhecem, devem viver com virtudes dadas por Ele: humildade, adoração, humildade e serviço.

    Está graça, por sua vez, não está disponível a todos. A “missão cumprida” na cruz é em favor apenas de alguns, a saber, os que foram conhecidos, pelo Pai na eternidade, e hoje fazem parte da aliança. Assim, a missão só eficiente para os eleitos redimidos e que foram protegidos da ira de Deus (propiciação) pela substituição satisfatória de Cristo Jesus.

    Estes poucos são chamados irresistivelmente. Essa “Graça embriagante” assegura que os vocacionados irão a Deus, por meio da fé, dada por Ele mesmo, e aplicada por seu em nós Santo Espírito. Sendo uma missão impossível dizer não a seu convite, pois, legalmente estes foram coprados pelo sangue do seu próprio filho. Finalmente, estes comprados são justificados e glorificados nas “cortes celestiais”.

    O que garante o que acima foi dito é o fato de que Ele mesmo persevera pelos que na eternidade chamou. Não há “causas perdidas”. A despeito de suas fraquezas, a chegada é garantida. “Aqueles, cujos corações e mentes fora (e estão sendo) renovados pela graça de Deus, não deveriam ficar obsecados com a preocupação de poderem caírem porque, embora sempre tenhamos períodos de vagar pelo deserto e cair em varias tentações e pecados, estamos realmente nos tornando novas pessoas” (p. 194).

    Michael Horton foi muito feliz no desenvolvimento das verdades supra sintetizadas. Como já dito, uma das maiores necessidades do cristianismo atual é resgatar estas verdades esquecidas. O caminho para os cristãos hoje deve ser o mesmo dos reformadores do passado, isto é, redescobrir o que foi perdido no decorrer da história. O Dr. Martin Lloyd-Jones, comentando sobre a Reforma Protestante, diz que: “A maior lição que a Reforma tem a nos ensinar é, justamente, o segredo do sucesso na esfera da igreja e das coisas do Espírito Santo, é olhar para traz”. Lutero e Calvino, diz ele: “foram redescobrindo o que Agostinho já tinha descoberto e que eles tinham esquecido”.[3] É isso que Horton faz.

    Horton não apenas reaviva estas doutrinas como também as colocas em uma linguagem contemporânea, contextualizada e aplicável. Mais do que um tratado teológico, a obra contém um elemento de ordem prática intensa, em que o autor mostra como essas doutrinas são relevantes para a vida cotidiana. O seu esforço em trazer uma resposta às questões da igreja contemporânea faz dos seus escritos ao singular.

    Outro aspecto que merece destaque são as respostas reformadas as tantas das palavras e frases usadas no discurso de muitos cristãos atuais. Horton traça a evolução de muitas dessas frases e mostra como eles são na melhor das hipóteses antibíblica e herética, na pior. Alguns exemplos disso são “solte e deixe Deus”, “segunda benção”, “entrega total” e “a liderança do Espírito.” Frases comuns, mas que são usadas sem realmente analisar as suas implicações teológicas subjacentes. Levando assim, à uma vida cristã vazia, legalista ou ritualista. Horton também combate um evangelho que se alcança e se vive apenas por meio de um moralismo humano. Onde muitas pregações têm como objetivo conduzir a uma boa conduta na sociedade, mas não a Cristo. Onde a ética tem mais valor que a graça. Está ideia além de minimizar a graça, traz a implicação de que todas as religiões podem levar a Deus (inclusivismo), pois em todas elas podemos ter pessoas com comportamentos éticos diante da sociedade.

    Por fim, um aspecto necessário a destacasse é a confusão atual entre “piedade” e “pietismo”. Muitos confundem santidade como sendo separação (no sentido de isolamento) do mundo. Ver nesta atitude a expressão de verdadeira espiritualidade e o primeiro degrau da escada que leva ao céu. O Dr. Herber Campos, sobre isso, diz que um dos maiores desafios da igreja contemporânea é o de não ser um gueto. A Igreja cristã, diz ele, “não deve se isolar, embora deva proteger a verdade. Ela deve aceitar o desafio de contrariar o espírito do tempo presente como uma espécie de ‘contracultura’, saindo para minar os campos alheios. Se não fizer isso a igreja vai perder a sua verdadeira identidade”.

    A leitura da obra foi bem produtiva, pois, de maneira rápida e clara foi possível conhecer as doutrinas da graça dentro de uma perspectiva teologia, atual e pratica. A grande contribuição da obra é apresentar um caminho melhor (cristianismo da graça), no lugar do caminho, trilhados por muitos (cristianismo moralista, ritualista e antropocêntrico). Porém, creio que ele deixou a desejar (apesar de escreve para um público geral em não só acadêmico) ao falar sobre muitos assuntos, o que consequentemente, o tornou superficial em alguns pontos e deixou sem respostas outros. Todavia, essa observação não tira o mérito da obra.

    Sendo assim, a obra é indicada para todos aqueles desejam conhecer e trilhar o caminho de um cristianismo dirigido pelas doutrinas da maravilhosa graça. Por isso, para todos estudiosos e interessados em uma teologia sistemática, contemporânea e prática, este é um livro que não pode faltar na biblioteca.

    [1] Ver: <www.challies.com/book-reviews/book-review-putting-amazing-back-into-grace> acessado em: 30 de março de 2010.

    [2] HORTON, Michael. As Doutrinas da Maravilhosa Graça: Um antídoto contra o cristianismo cultural infiltrado no meio evangélico. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. P. 30

    [3] Apud NETO, F. Solano Portela. A Mensagem da Reforma para os Dias de Hoje. In: MATOS, Alderi Souza de LOPES, Augustus Nicodemos. Fides Reformata. v.2, n.2. jul/dez, 1997. p.29.

    [4] CAMPOS, Heber Carlos de. O pluralismo do pós-modernismo. Fides Reformata. Vol. II, N° 1 (1997).

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    • Imagem Usuário

      Pr:Robson de sousa luz

      10/04/2011 às 12h25
      amados,esta faltando pessoas com coragem, para pregar as velas verdades que o apóstolo paulo pregava, que calvino pregava, que espurgion pregava,verdades essas que temos que pregar ou do contrario seremos falsos para com o povo,e para com Deus.

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